quinta-feira, 31 de julho de 2008

Teologia Bíblica do Salmo 51


©1999 Hélder de Salles Cardin (http://www.geocities.com/Athens/Aegean/2551) é aluno do curso de Bacharel em Teologia com Ênfases em Ministério Pastoral e Educação Cristã no Seminário Bíblico Palavra da Vida em Atibaia-SP. Este material pode ser utilizado e pesquisado livremente, sem porém ser utilizado com e para fins lucrativos sem consentimento e autorização do seu autor.


1 Introdução
O estudo do Salmo 51 tem como propósito a identificação das origens deste salmo bem como o seu autor, a data em que foi escrito, as condições em que se encontrava o seu autor e o estilo literário que se utilizou para expressar em palavras o que estava sentindo e passando. De acordo com a possibilidade procurarei estar identificando a exegese e teologia deste salmo de acordo com aquilo que o Senhor revelou mediante esta passagem.
Há uma grande necessidade em se estudar este salmo pois se trata de um salmo muito utilizado nos dias de hoje por pessoas que estão sofrendo muito por causa de seus pecados, e este salmo trata exatamente deste assunto, quando um grande homem de Deus cai em profunda depressão por causa dos seus pecados cometidos primariamente contra o seu Deus.
A necessidade pessoal do estudo deste salmo vai além das exigências para o cumprimento dos requisitos parciais desta matéria, pois tenho a intenção de estar criando em mim o hábito de estar analisando e interpretando os textos aos quais me proponho a estudar, sendo esta um oportunidade grandiosa e também muito valiosa.
Procurarei abranger ao máximo possível a análise deste salmo utilizando-me de diversos livros como comentários bíblicos, apostilas e outras referências bibliográficas referentes ao salmo, como dicionários teológicos e até materiais não-publicados oficialmente, expressando estes conceitos de forma claras e sucintas, atingindo assim o propósito deste estudo e pesquisa.

2 Questões Introdutórias
Antes de se aprofundar exegética e teologicamente no Salmo 51 convém que se conheça a respeito da origem deste salmo que vem sendo utilizado freqüentemente para expressar o profundo sentimento depreciatório de um pecador.
Tem-se esta necessidade de saber a origem do salmo afim de estarmos familiarizados com o autor desta obra e também conhecer o seu estilo literário e o contexto histórico da época, para que assim se possa identificar e afirmar o por que deste salmo estar escrito exatamente da maneira que como está.

2.1 Autoria
Analisando ponderadamente este salmo pode-se atribuir a sua autoria ao grande rei Davi, já que o contexto em que este salmo foi escrito e relata se assemelham muito ao contexto em que Davi possivelmente se encontrava após o profeta Natã vir ter com ele e lhe apontar o pecado que havia cometido com Bate-Seba (2 Sm 11 e 12).
A pessoa que escreveu os comentário e notas de rodapé da Bíblia na versão Linguagem de Hoje afirma em uma de sua notas a respeito deste salmo ser Davi o seu autor, tendo como base o título em hebraico deste salmo, ;diwfd:l rOm:zim (Salmo de Davi).
No que diz respeito aos versículos 18 e 19 vários autores e comentaristas como F. Davidson afirmam que estes dois versículos foram “adicionados alguns séculos depois da época de Davi”[1], sendo esta época o tempo “quando os muros da cidade [de Jerusalém] foram derrubados, quando os sacrifícios cessaram”[2] (Ne 1.3; Sl 102.16,17; 142.2).

2.2 Data
Partindo da afirmação de ser o rei Davi o autor deste salmo e levando em conta o contexto em que foi escrito é possível estabelecer aproximadamente a data em que o salmo foi escrito.
Segundo Carlos Oswaldo Pinto em sua apostila a respeito da Teologia Bíblica do Antigo Testamento é possível estabelecer a data de 992 a.C. para o pecado de Davi com Bate-Seba (2 Sm 11). Considerando esta data pode-se afirmar que Davi escreveu este salmo por volta dos anos 992 e 991 a.C., quando exercia o seu reinado sobre Israel.

2.3 Estilo Literário
O Salmo 51 trata-se de um Salmo penitencial[3], sendo penitência um “arrependimento ou pesar por falta cometida; contrição. Aflição, tormento. Relativo à virtude cristã que leva ao arrependimento pelos próprios pecados, na medida em que constituem ofensa aos designos divinos.”[4]
Geralmente nestes salmos começa-se com “a confissão do pecado, acompanhado de uma súplica por perdão [divino], que substitui a lamentação sobre a tribulação”[5], e isto se pode ver claramente na estrutura literária deste salmo, assim como nos outros salmos penitenciais.
Stanley A. Ellisen identifica alguns elementos característicos dos salmos penitenciais como por exemplo:
* Dirigi-se a Deus e clama por auxílio;
* Queixa freqüentemente expressa em figuras;
* Confissão de confiança;
* Petição de auxílio divino;
* Súplica de cuidado especial divino ou cumprimento de promessa de aliança;
* Voto de louvor e ação de graças;
* Confiança na resposta divina.[6]
Pode-se identificar também a presença de um paralelismo sinônimo expresso claramente nos vv. 2,3 e 5, onde Davi se utiliza deste estilo na segunda parte do versículo a fim de complementar a idéia inicial deste mesmo versículo.

2.4 Contexto Histórico
O contexto histórico deste salmo é muito semelhante ao contexto histórico que 2 Samuel 11 e 12 nos relatam.
Davi a não muito tempo cometera adultério com Bate-Seba e o assassinato premeditado e sangüíneo de Urias. A época em que se deram estes fatos era uma época em que os reis deveriam estar com suas nações batalhando nas guerras, porém Davi não estava.

Partindo desta negligência para com suas obrigações arrolasse todo este processo pecaminoso conhecido por nós e lembrado em outras passagens na Bíblia (1 Rs 15.5).
Após a consumação dos pecados de Davi o profeta Natã vem e repreende ele com uma parábola que o jogou no banco dos réus, fazendo assim com que sua consciência viesse a pesar assumindo assim o seu pecado publicamente e também perante o Senhor.
Com o reconhecimento do seu pecado Davi começa a sofrer as conseqüências judiciais e espirituais que a santidade de Deus tem que executar frente a podridão humana (2 Sm 12 e 13).

3 Exegese do Salmo 51
Para se conhecer e entender bem o Salmo 51 é necessário que seja feito uma exegese do seu conteúdo, a fim de podermos analisar e extrair quais são as contribuições que este salmo nos dá para assim formular e interpretar qual é a mensagem central desta passagem.

3.1 Esboço Sintético
I - A misericórdia e benignidade do Senhor apaga e purifica multidão de pecados (vv. 1,2).
A - A misericórdia e benignidade do Senhor apaga multidão de pecados (v. 1).
B - A purificação dos pecados e iniquidades vem do Senhor (v. 2).
II - A natureza pecaminosa do salmista e a conscientização do seu pecado o fazem reconhecer a santidade e justiça do Senhor que deseja que a sabedoria esteja intrínseca na alma a fim de que não pequemos contra Ele (vv. 3-6).
A - A constante presença do pecado está sempre a frente do salmista (v. 3).
B - A santidade e justiça do Senhor é manifesta na conscientização e confissão do pecado por parte do salmista (v. 4).
C - A natureza pecaminosa do ser humano está presente antes do seu próprio nascimento (v. 5).
D - A vontade do Senhor é de que a sabedoria esteja intrínseca na alma humana (v. 6).
III - A busca pela santidade e purificação dos pecados num momento de profundo juízo divino requer um espírito inabalável e a constante presença do Senhor e Sua salvação (vv. 7-12).
A - A eficácia do perdão divino torna o homem mais alvo que a neve (v. 7).
B - A busca pelo alegre regozijo se faz presente num momento de profundo juízo divino (v. 8).
C - O pedido do salmista é para que o Senhor não olhe para os seus pecados (v. 9).
D - A busca pela santidade requer um espírito inabalável (v. 10).
E - A súplica do salmista num momento de consciente reprovação divina leva-o a clamar para que o Senhor não o desampare (v. 11).
F - A alegria do salmista provém da salvação que o Senhor lhe concede (v. 12).
IV - O livramento dos pecados e a restauração do salmista mediante a salvação no Senhor exige o sacrifício de um espírito e coração quebrantados e compungidos que proclamam as glórias do Senhor (vv. 13-17).
A - A restauração do salmista gera em seu coração uma vontade de ensinar aos perdidos os caminhos do Senhor (v. 13).
B - O livramento dos pecados pela salvação que só o Senhor pode dar alegra o coração de quem o recebe (v. 14).
C - A glória do Senhor é proclamada por meio de lábios de um pecador perdoado (v. 15).
D - A reprovação do Senhor é manifesta no oferecimento de sacrifícios ao Senhor (v. 16).
E - O sacrifício de um espírito e coração quebrantados e compungidos satisfazem ao Senhor (v. 17).
V - A bondade do Senhor em aceitar sacrifícios de justiça e ofertas perante o Seu altar é manifestada na concessão de bênçãos à Sião e Jerusalém (vv. 18,19).
A - A bondade do Senhor está manifesta na concessão de bênçãos à Sião e Jerusalém (v. 18).
B - Deus se agrada de sacrifícios de justiça mediante o oferecimento de holocaustos e ofertas queimadas perante o Seu altar (v. 19).

3.2 Mensagem do Salmo
Segundo a compilação sintética deste salmo pode-se propor a seguinte mensagem para o mesmo:
“A misericórdia e benignidade do Senhor comprovadas no livramento dos pecados e na restauração do salmista com toda sua natureza pecaminosa exige a conscientização e confissão do seu pecado, manifestos no oferecimento sacrificial de um espírito e coração quebrantados que não se cansam de proclamar as glórias de um Deus que nunca deixa de abençoar Seus eleitos.”

3.3 Síntese Exegética
vv. 1,2 - O Pecado - Davi humilha-se perante o Senhor reconhecendo o seu pecado e pedindo para que Deus os apague segundo a Sua grande benignidade e misericórdia.
vv. 3-6 - O Reconhecimento - Davi reconhece a sua natureza pecaminosa e que o seu pecado infringi principalmente o caráter santo de Deus.
vv. 7-12 - A Purificação - Davi clama ao Senhor pela purificação dos seus pecados para que ele possa se regozijar no Senhor com um coração puro e um espírito inabalável, sustentado por um espírito voluntário.
vv. 13-17 - A Restauração - Davi se propõe a estar sendo usado pelo Senhor para estar proclamando as Suas glórias aos que não O conhecem, e assim estar se oferecendo como um sacrifício quebrantado ao Senhor.
vv. 18,19 - A Benção - Deus em Sua soberania e fidelidade às alianças feitas com Seu povo se mantém como um Deus imutável na concessão das bênçãos a este povo.

4 Administração dos Propósitos de Deus
O Salmo 51 apresenta brandamente as quatro linhas de ação divina, onde Deus se utiliza destes propósitos a fim de restaurar a Sua soberania mediada mesmo num momento delicado como o dos pecados do rei Davi.
Estas quatro linhas também podem ser encontradas e reforçadas através da análise do contexto histórico que se encontra em 2 Samuel 11-13.

4.1 O Decreto de Permitir o Mal
O pecado a que Davi está se referindo neste trecho diz respeito aos pecados relatados em 2 Samuel 11, onde ele adultera com Bate-Seba e manda assassinar Urias, o heteu.
Deus poderia ter intervindo nos acontecimentos, evitando assim tamanha desgraça porém optou por o não fazer.

4.2 A Promessa/Ação de Julgar o Mal
Como conseqüência dos pecados de Davi Deus em Seu caráter santo executa o juízo na vida dele, isto se pode constatar mediante a afirmação que o próprio Davi faz no v. 8: “Faz-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste.”
Os pecados de Davi estavam fazendo com que ele se consumisse com o passar do tempo ao ponto de já estar sentindo falta do próprio vigor.
O contexto de 2 Samuel 12,13 e 16 relata algumas conseqüências do pecado de Davi, como por exemplo: a morte do filho dele com Bate-Seba, o incesto de Amnom, filho de Davi, com sua irmã Tamar, o assassinato de Amnom por seu irmão Absalão e as muitas relações sexuais de Absalão com as concubinas de Davi.

4.3 Libertação do Juízo Para os/Pelos Eleitos
A maneira que o povo vétero-testamentário se utilizava para fazer a expiação dos seus pecados era através das ofertas, sacrifícios e holocaustos queimados ao Senhor. Porém Davi aqui apresenta uma nova metodologia a fim de agradar e se oferecer ao Senhor que são: o oferecimento de um espírito quebrantado e um coração compungido e contrito a Ele (v. 17).
Segundo as leis judaicas instituídas pelo Senhor aquele que cometesse adultério com a mulher de outrem certamente morreria, tanto ele quanto ela (Lv 20.10), sendo que no caso de Davi o Senhor o privou de tamanha condenação.
Outra maneira que Deus utiliza a fim de libertar Davi das condenações de seu pecado foi que Deus em Sua muita misericórdia ungi a Salomão, filho de Davi, como rei e sucessor de seu pai no reinado, resgatando assim a dignidade real da linhagem de Davi, e a vontade da construção do templo do Senhor.

4.4 O Decreto de Abençoar os Eleitos
A maneira que Deus utilizou para abençoar Davi foi a restauração da Sua vida e também do seu reinado, bem como o privilégio de fazer parte de sua linhagem o maior rei de todos os tempos, Jesus Cristo, o filho de Davi.

5 Teologia do Salmo 51
O Salmo 51 relata contribuições significativas para a formulação e apologia das doutrinas centrais da fé cristã, como por exemplo: teologia própria, pneumatologia, antropologia e hamartiologia.
Talvez a intenção pessoal de Davi não era apresentar uma contribuição direta ou apologia destas doutrinas como em muitos casos foi o objetivo do apóstolo Paulo. Porém há uma presente possibilidade de analisar teologicamente este salmo a respeito das doutrinas acima citadas.

5.1 Teologia Própria
Através deste salmo é possível identificar claramente alguns atributos pelos quais Deus se utiliza para se manifestar ao salmista.
Deus é Benigno - Deus mesmo frente à indignidade e pecado de Davi preserva o Seu caráter de !eD:sax:K (benignidade - v. 1), onde Ele permanece fiel ao Seu filho infiel. A palavra aqui utilizada, segundo a versão bíblica King James, pode ser traduzida com o mesmo significado da palavra desex:bU encontrada em Oséias 2.19 e traduzida por amor leal de Deus.
Deus é Misericordioso - Davi clama pelas !yemAxar (misericórdias - v. 1) do Senhor, sendo esta a base do perdão divino oferecido ao iníquo pecador.
Deus é Puro e Santo - Deus não tolera o pecado e de certo Davi tinha conhecimento desta faceta do caráter divino, pode-se constatar isso pela freqüente presença de verbos utilizados como purifica-me, lava-me e apaga (vv. 1,2 e 7). Dá-se a entender que Deus possui um caráter puro e santo, e de fato Ele os possui.
Deus é Justo - A partir do momento em que o Senhor identifica a presença de pecado na vida de um filho Seu Ele tem que executar juízo, pois a pureza e santidade divina não pode conviver com o pecado. E Davi estava sofrendo este juízo (“Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste.” - v. 8), além das conseqüências que ele sofre na seqüência de sua vida (2 Samuel 12,13 e 16).
Deus é Gracioso - Este aspecto do caráter divino está muito ligado à salvação que Ele oferece ao homem, onde Deus, em toda Sua grandeza e majestade, se dispõe a estar tomando o homem pelas mãos a fim de estar purificando e restaurando-o dos seus pecados. O que Davi deixa transparecer nesta passagem é que o Senhor já havia lhe oferecido esta salvação, porém, devido o seu pecado e suas conseqüências o salmista já não se alegrava e contemplava nesta posição de salvo (v. 12), talvez por se achar indigno de estar perante a santidade e pureza de Deus.

5.2 Pneumatologia
O Salmo 51 pouco apresenta e contribui para a formulação da doutrina do Espírito Santo. Porém baseando-se no versículo 11 pode-se apresentar algumas característica concernente à atuação do Espírito Santo no Antigo Testamento, como por exemplo:
A atuação era limitada:
* Na sua extensão;
* No seu propósito;
* No seu prazo;
* No seu efeito.
Davi de certo tinha consciência desta atuação do Espírito Santo e por isso pede para que o Santo Espírito de Deus não se retirasse da vida dele, a fim de que ele não viesse ter o mesmo fim que teve o seu antecessor no reinado quando o Espírito Santo se retirou a vida dele (1 Sm 16.14).

5.3 Antropologia
A antropologia expressa neste salmo está muito ligada à consciência do homem, à sua pecaminosidade, depravação total e sua carência por Deus.
Por diversas vezes o salmista fala a respeito da consciência que ele tem dos seus atos e atitudes, principalmente relacionada aos seus atos pecaminosos onde Deus o tornou conhecedor do bem e do mal (Gn 2.16).
No que diz respeito à pecaminosidade do homem o versículo 5 contribui fortemente para a formulação da teoria da depravação total do homem, onde ele carece totalmente da graça e redenção de Deus para assim tornar-se propício a estar na presença de Deus.
De acordo com esta pecaminosidade do ser humano o caráter santo de Deus não pode se conformar e nem aceitar este humano, e de certo Davi tinha consciência disso, pois ele pede para que Deus não o expulse da Sua presença.

5.4 Hamartiologia
O Salmo 51 apresenta a distinção do uso de três palavras diferentes relacionadas com o pecado porém com um mesmo objetivo, o de apresentar a pecaminosidade humana.

A primeira palavra é hatah, tendo como significado “errar, pecar, tornar-se culpado”[7] e é encontrada nos versículos 2,3,5 e 9.
A segunda palavra é awon que significa “iniquidade”[8] e ocorre nos versículos 2,5 e 9.
A terceira e última palavra é pesha que tem por significado “infração, transgressão”[9]. Esta palavra encontra-se nos versículos 1 e 3.
Todas estas três palavras juntas contribuem para a formulação da doutrina do pecado, tendo o seu ápice no versículo 5 declarando o clímax da atuação e presença do pecado no ser humano, ou seja, o relato da depravação total do ser humano decorrente dos seus pecados e das conseqüências do pecado original de Adão.

6 Aplicações
Olhando para a situação deste homem segundo o coração de Deus e vendo o que ele foi capaz de fazer eu passo a me sentir o maior de todos os pecadores, pois em toda a limitação que tenho em meu relacionamento intimo com o Senhor eu vejo o quanto eu estou vulnerável a todo o tipo de pecado, e sei que conforme passam-se os dias as pressões e tentações que o mundo nos oferecem vão crescendo e assim as probabilidades de ceder a estas tentações também.
Davi levou algum tempo para reconhecer o seu pecado publicamente e perante o Senhor, e isto posso notar que faz parte da natureza pecaminosa do ser humano pois a carne vive a hesitar em assumir a sua própria podridão, sendo assim a procrastinação em assumir o erro vai acontecendo e se tornando cada vez mais presente e freqüente, e as conseqüências deste pecado aumentando. Sabendo disso devo procurar identificar os meus pecados no momento em que eles acontecerem a fim de que a minha carnalidade não esteja arrumando mil e uma desculpas a fim de burlar minha consciência e assim não me arrepender destes pecados.
Sabendo que Deus não se cansa de novos começos devo estar ciente da necessidade em pedir perdão sempre que algum pecado vier a acontecer, a fim de que eu não esteja me acostumando com ele e assim venha a cometer pecados com conseqüências maiores e mais graves.
O que mais me marcou na vida de Davi foi o seu reconhecimento de que não podia ser expulso da presença de Deus, pois de certo morreria. Contextualizando isso hoje, em 1997 há uma tremenda necessidade de que pessoas realmente compromissadas e zelosas pelo nome Senhor não estejam se acomodando com a sua posição de salvo a fim de que outras pessoas possam estar se espelhando nesta pessoa que busca o desenvolvimento da sua salvação, para assim estar se sentindo motiva a seguir também os justos e retos caminhos do Senhor.

7 Conclusão
O Salmo 51 trata-se de uma clássica obra literária escrita por um dos maiores reis que o mundo já pode presenciar, Davi, o homem segundo o coração de Deus e em quem o Senhor se comprazia.
O estudo deste salmo foi de muita valia para mim pois pude ver que uma passagem bíblica não está limitada apenas ao contexto da sua época mas sim também nos dias de hoje, com o objetivo de estar servindo de base para a formulação da nossa fé cristã e como reconhecimento da soberania deste Deus que nunca desampara os Seus eleitos, mesmo que estes estejam passando por momentos de profunda depressão decorrente de seus pecados.
Graças a Deus que esta passagem está relata nas sagradas escrituras e com certeza ela serve de correção para muitos homens e mulheres de hoje que estão passando pelos mesmos sofrimentos que Davi passou.
Que o Espírito Santo de Deus esteja sempre a me conduzir nos estudos da vida de grandes homens que se tornaram pequenos na presença da majestade e santidade do Senhor.


Bibliografia Consultada
A BÍBLIA HEBRAICA. versão Sttutgartensia. Alemanha, 1984
BROWN, Francis. The new hebrew and english lexicon. Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1979. 1118 pp.
ELLISEN, Stanley A.. Conheça melhor o antigo testamento. Deerfield, Flórida: Vida, 1991. 371 pp. - Traduzido por Emma Anders de Sousa Lima
PFFEIFER, Charles F.. Comentário bíblico moody. Vol. 2. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1985 - Traduzido por Yolanda M. Krievin
HALLEY, H. H.. Manual bíblico. São Paulo: Vida Nova, 1983. 765 pp. - Traduzido por David A. de Mendonça
HORREL, J. Scott. Apostila de teologia sistemática 1 e 2. 4ª ed.. São Paulo: Produzido pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida, 1990. 138 pp.
KIDNER, Derek. Salmos 1-72: introdução e comentário. 1ª ed.. São Paulo: Mundo Cristão, 1980. 280 pp. - Traduzido por Gordon Chown
KISRT, Nelson. Dicionário hebraico-português e aramaico-português. 3ª ed.. São Leopoldo: Sinodal, 1991
MEARS, Henrietta C.. Estudo panorâmico da bíblia. Deerfield, Flórida: Vida, 1982. 576 pp. - Traduzido por Walter Kaschel
PINTO, Carlos Oswaldo Cardoso. Apostila de teologia bíblica do antigo testamento. Atibaia: SBPV, 1997. 143 pp.
RYRIE, Charles Caldwell. A bíblia anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1991 1835 pp. - Traduzido por Carlos Oswaldo Cardoso Pinto (notas e material adicional)
SCHMIDT, Werner H. Introdução ao antigo testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1994. 395 pp. - Traduzido por Annemarie Höhn
SOCIEDADE BÍBLICA BRASILEIRA. A bíblia sagrada - versão almeida, revista e atualizada. Brasília - DF, 1988. 1442 pp.
YATES, Kyle M.. Como agradecer a Deus: estudo no livro dos salmos. 3ª ed.. Rio de Janeiro: Juerp, 1983. 134 pp. - Traduzido por Rev. Waldemar W. Wey
[1] DAVIDSON, F. (Editor). O novo comentário da bíblia. 1ª Ed.. São Paulo: Vida Nova, 1954. p. 543
[2] Idem.
[3] Junto com o Salmo 51 encontram-se também outros salmos penitenciais como os salmos 6, 32, 38, 102, 130 e 143, sendo porém o Salmo 51 o que apresenta o maior grau de penitência dentre todos estes citados.
[4] FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Fronteira, 1986. p. 1302
[5] SCHMIDT, Werner H. Introdução ao antigo testamento. São Leopoldo: Sinodal, 1994. p. 290
[6] ELLISEN, Stanley A.. Conheça melhor o antigo testamento. Deerfield, Flórida: Vida, 1991. p. 173
[7] Horrel, J. Scott. Apostila de teologia sistemática 1 e 2. 4ª ed.. São Paulo: Produzido pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida, 1990. p. 38
[8] Idem.
[9] Idem.

Um comentário:

Natan disse...

Quero que esse dicionário seja benção para quem quer crescer espiritualmente.