quinta-feira, 31 de julho de 2008

HOMILÉTICA

INTRODUÇÃO A MATÉRIA

HOMILÉTICA:

É a arte de pregação. Pregar é comunicar a verdade através da personalidade. A pregação é a comunicação verbal da revelação de Deus, feita por um homem aos homens com o fim de persuadi-los
a fazer a vontade de Deus.

Sua etimologia: Homilética e homilia vêm da palavra grega 'HOMILEO", que significa: falar, praticar.
Seu sentido técnico: Homilética é o estudo que trata da preparação de sermões bíblicos e sua comunicação oral.
O equivalente a Homilética no campo secular seria "Retórica"
Homilia significa sermão, prática ou discurso religioso.

PREGAÇÃO:
Seu sentido prático: A nota preponderante da pregação deverá ser o kerigma; porem com a prática, especialmente no kerigma da edificação, o kerigma vai acompanhado da didaké (Ensino, mandamentos que revelam a vontade de Deus, e apelam a obediência)
O exemplo da agulha e do fio, a locomotiva e dos vagões. Na pregação se podem encontrar estes 3 aspectos:
Conteúdo kerigmático
Conteúdo didáktico
Conteúdo pastoral (que aplica ao Conteúdo do anterior a situação concreta e contextual de seus ouvintes.)
Jesus e os apóstolos pregavam (kerigma) e ensinavam (didaké). Nos evangelhos e nas epístolas encontramos estes dois elementos. Em uma pregação geralmente aparecem os 2 elementos; quando a nota dominante é a didaké, seria mais um ensino que uma proclamação.

A PREGAÇÃO É COMUNICAÇÃO:
O meio da comunicação é a palavra. A pregação não deve ser mera palavra, nem palavras persuasi­vas de humana sabedoria (retórica), senão PALAVRA DE DEUS, e se o que comunicamos é Palavra de Deus, e essa palavra é ESPÍRITO - VIDA -LUZ - CRISTO - DEUS, que chega aos homens e opera nos que a aceitam.

CARACTERÍSTICAS DE UM SERMÃO OU MENSAGEM:

- Bíblica
- Teológicamente correta
- Cristocêntrica
- Evangélica (comunica boas notícias)
- Espiritual (não somente letra ou palavras senão espírito)
- Atual e pertinente (que responda as necessidades do momento)
- Profética (o que o Senhor quer dizer aqui e agora)

QUALIDADE PESSOAIS QUE O PREGADOR DEVE CULTIVAR:

Qualidades espirituais
- Estatura espiritual e santidade
- Devoção á Deus
- Vocação
- Unção do Espírito Santo e fervor espiritual
- Sensibilidade espiritual
- Conhecimento de Deus e de Sua Palavra
- Autoridade espiritual
- Humildade

Qualidades intelectuais
- Conhecimento das Sagradas Escrituras
- Conhecimento teológico
- Gramática da língua portuguesa
- Cultura geral
- Atualização de acontecimentos sociais

Qualidades psico-emocionais:
- Liberação de tensões, ansiedade, raivas, etc.
- Consciência limpa
- Equilíbrio e saúde emocional
- Domínio próprio
- Sensatez e sentido comum
- Objetividade

Qualidades mentais ou carismas de comunicação:
- Raciocínio claro
- Pensamento ordenado
- Vigorosa imaginação
- Capacidade de sentir, de comover-se
- Capacidade de expressão
- Poder de enunciação

Qualidades físicas:
- Boa saúde
- Boa voz
- Boa dicção
- Boa expressão gestual

Algumas qualidade são dons naturais, outras são dons espirituais ou carismas dados por Deus A vezes são uma combinação de ambas as coi­sas.
Todos podemos e devemos melhorar e desenvolver nossas qualidades e capacidades mediante estudo, a aprendizagem, o exercício , a experiência, a disciplina, a oração e a dependência de Deus.

MATERIAIS ÚTEIS PARA O PREGADOR:
1) Bíblias, várias versões, Bíblia de estudo com referência, no­tas e mapas, etc.
2) Concordância completa.
3) Dicionário bíblico ou Enciclopédia Bíblica.
4) Comentários exegéticos da Bíblia.
5) Dicionário da língua portuguesa.

Outros materiais
1) Livros sobre os temas a desenvolver
2) Revistas ou artigos que tratam do tema.
3) Arquivos de materiais

O LIVRO QUE UM PREGADOR DEVE ESTUDAR:
AS SAGRADAS ESCRITURAS: Antigo e Novo Testamento mediante a leitura diária, estudo e cursos bíblicos.

HOMILÉTICA TEMA 2

I) A INSPIRAÇÃO OU A RECEPÇÃO DA MENSAGEM.
(OU COMO DETERMINAMOS O QUE PREGAR)

A) O QUE PREGAR:

O pregador deve estar convencido que tem uma mensagem de par­te de Deus para comunicar aos homens. Se não tem esta segu­rança será débil sua pregação.

1) Deus nos falou por Cristo, Ele é a revelação de Deus para todos os homens de todos o tempo, a palavra universal e eterna de Deus. De modo que com certeza podemos afirmar que a mensagem de Deus para os homens já o temos recebido Devemos PREGAR todo o conselho de Deus.

2) Obviamente, como todo o conselho de Deus não se pode dar em uma só ocasião, cabe perguntar-nos: que parte de todo o conselho devemos dar em cada ocasião que tivermos que PREGAR?

3) O adoutrinamento nos grupos caseiros, ou no discipulado se especializa mais em um ensino progressivo e gradual de todo o conselho de Deus. Não tem uma ordem rigorosa, mas um senti­do de direção até o completo conselho de Deus. Isto deve ser feito com graça, liberdade, e flexibilidade de acordo as necessidades e vivência do grupo de discípulos.

4) Nas circunstâncias concretas dos ouvintes, nosso Deus, vivo e presente na reunião, quer dar uma palavra per­tinente as necessidades específicas que os receptores da mensagem tem. Para eles o pregador necessita da inspiração de Deus.

B) A ASPIRAÇÃO QUE TODO PREGADOR DEVE TER:

1) Receber por inspiração uma mensagem de Deus. Sua oração e clamor é o que vai dizer seja o que Deus quiser dizer a esse auditório ou congregação nesta oportunidade específica.

2) Comunicar essa mensagem com clareza, fidelidade e unção.

3) Que os receptores da palavra sejam iluminados pelo E.S. e persuadidos a fazer a vontade de Deus.

C) EXEMPLOS BÍBLICOS DE PREGAÇÕES INSPIRADOS PARA UM AUDITÓRIO ESPECÍFICO EM UMA CIRCUNSTÂNCIA CONCRETA:

- Pedro em Jerusalém. Atos 2:14-40
- Estevão ante o Concílio. Atos 7
- Pedro na casa de Cornélio. Atos 10:34-44
- Paulo em Antioquia de Pisidia. Atos 13:14-41
- Paulo em Atenas. Atos 17:22-34
- Paulo e os anciãos de Eféso. Atos 20:17-37

Os 5 primeiros são o kerigma de evangelização dado por inspiração de modos diversos segundo o auditório.

D) A NECESSIDADE DE INSPIRAÇÃO OU REVELAÇÃO:

1) Cristo promete que será uma obra do E.S.:
João 14:26, "ensinará, recordará".
João 16:13-15, "guiará a toda verdade, os fará saber".
Primeiro foram ensinados por Cristo (COMUNICAÇÃO NATURAL)
Logo o E.S. ensinaria e recordaria (COMUNICAÇÃO SOBRENATURAL)

2) Paulo disse em 1 Cor. 14:1 "...sobre tudo que profetizeis". Ainda no contexto se refere as operações dos dons do E.S., creio que o princípio se estende a todo aquele que prega. Todo pregador deve procurar que a essência ,a medula da sua mensagem tenha um conteúdo profé­tico. Sua pergunta deve ser: Senhor que quer dizer a estas pessoas reunidas ?

3) Paulo em Ef. 1:15-19 pede revelação para os destinatários de sua carta.

E) EM QUE SITUAÇÕES PODE-SE RECEBER UMA INSPIRAÇÃO OU UMA MENSAGEM DE DEUS

Aclaração previa: Em muitas poucas ocasiões pode-se receber uma mensagem já desenvolvida da parte de Deus. Geralmente a inspiração pode ser um pensamento, uma carga, ou uma palavra breve que Deus nos dá; logo pela reflexão, a meditação, a oração, o estudo bíblico sobre o tema, se vai desenvolvendo em nós. Geralmente Deus nos dá uma semente a qual devemos regar para que se desenvolva e cresça e logo prega-la. A meditação, o estudo, e a oração nos ajudarão a uma melhor e mais profunda compreensão do tema, isto gerará uma maior inspiração. Meditando e orando sobre o revelado virá mais revelação e assim sucessivamente.

1) O estar em contato com Deus e Sua palavra.

- Lendo e meditando na Sua Palavra.
- Em tempos de oração com Deus, ouvindo Sua voz.
- Repentinamente recebendo uma palavra de Deus.
- Revelação ou compreensão clara em momentos de contem­plação e adoração.
Carga que vem do Senhor em tempos de intercessão por Sua Igreja ou por algum grupo.(cuidado com o Espírito do acusador) .
- Pela operação dos dons do E.S., pelos dons de revelação e inspiração.
- Por visões e sonhos.
- Uma fonte de grande inspiração é crer a visão que Deus tem de Sua Igreja.
- Por crer e proclamar com unção e louvor as verdades de Deus.
- Por “orar a palavra". Ler 1 ou 2 capítulos da Bíblia devocionalmente e sublinhando; logo orar com os olhos e a Bíblia aberta de acordo com o sublinhado.

Façamos anotações do que Deus nos dá em algum caderno, para logo seguir estudando, meditando e desenvolvendo sobre o recebido.

2) O estar em contato com irmãos.

- Por conhecer a nós mesmo e a outros irmãos temos conhecimento das debilidades humanas e suas necessidades.
- Pelas necessidades espirituais que percebemos na congregação. O que está faltando e percebemos que é o momento.
- Por discernir as mentiras do diabo nas mentes das pessoas.
- Por ser sensível aos que sofrem, aos que tem conflitos, lutas, dúvidas, provas, cargas, etc.
- Por conhecer pensamento dominante na sociedade que nos rodeia: Atitudes, estilos de vida, filosofias, ideologias, etc.
- Por conhecer os conflitos das pessoas quando nos toca ministrar-lhes e aconselha-los pessoalmente. Suas debi­lidades, fracassos, pecados, inquietudes, carências, etc.


3) O estar em contato com outros obreiros.

- O orar com outros.
- O escutar a outros PREGAR.
- O falar, compartilhar, discutir, estudar com outros.
- O ler em livros ou artigos os que outros escreveram.

4) Outras fontes de inspiração.

- A observação da natureza.
- As histórias do Antigo e Novo Testamento.
- Biografia de personagens bíblicos.
- Biografia e o exemplo de homens de Deus.
- Os irmãos que são mais crescidos que eu.
- Experiências e observações da vida real.

F) A "INSPIRAÇÃO" DEVE SER JULGADA:

" assim os profetas, falem dois ou três e os demais julguem" 1 Cor 14:29

- Toda "inspiração" deve estar de acordo as Sagradas Escrituras em seu conjunto em forma absoluta.
- Toda "inspiração" deve ser examinada por outros servos de Deus.
- Também deve passar pela prova do ministério do novo pacto:
É somente letra que mata ou há um espírito que dá vida?
Somente apresenta o problema o propõe uma solução?
É ministério de condenação ou de edificação?

G) DIFERENTES SITUAÇÕES DE PREGAÇÃO:

1) Tema livre, a escolher pelo pregador.
2) Tema sugerido por ele o pelos que o convidaram.
3) Tema predeterminado por outro/s.
4) Tema estudado em conjunto.
5) Tema para ocasiões especiais: Casamento, velório, ordenações, etc.

HOMILÉTICA TEMA 3
II) A PREPARAÇÃO DO SERMÃO.
O PROPÓSITO DEFINIDO DO SERMÃO.

A) A IMPORTÂNCIA DE TER UM PROPÓSITO:

Cada sermão deve ter em vista uma meta clara, um propósito definido, um objetivo específico. A determinação do propósito é o primeiro passo, não a preparação de um sermão. Na preparação de uma mensagem determinar o propósito é o mais importante pelas seguintes razões:

1) Porque toda mensagem requer um para que. Se não se sabe a finalidade que se persegue, está destinado a fracassar. É indispensável ter um alvo e apontar com precisão até ele.

2) Porque o sermão é um meio e não um fim. Não pregamos meramente para informar, ou ilustrar, nem para entreter, muito menos para fazer uma demonstração de nossos conhecimentos ou habilidades retóricas. Queremos conseguir um fim determinado .

3) Porque o propósito é um guia indispensável na prepa­ração do sermão. O propósito governa a escolha do texto bíblico, a formulação e o desenvolvimento do tema, ou como ordenar as divisões, que material incluir ou ex­cluir, o que enfatizar e como concluir. Tudo deve convergir até o objetivo ou fim.

4) Ademais, obriga a depender de Deus para conseguir esse fim, e esperar os frutos concretos. O que queremos obter Deus e eu com esta mensagem?
Exemplo: A palavra de Deus é como espada de dois fios. O dois fios da espada convergem em um ponto. Todo o sermão deverá ter um ponto específico sobre o qual faz pressão e quer entrar.

B) OS PROPÓSITOS GERAIS DA PREGAÇÃO:

1) Propósito evangelístico:

Aponta aos inconversos e seu fim é a conversão deles. Seu conteúdo é o kerigma da evangelização dado de acordo a situação e compreensão dos ouvintes. A linguagem usada, o estilo, as referências e a apresentação deverão estar ao nível de capacitação dos que se estão evangelizando. (Toda mensagem de evangelização é também edificante para os crentes) .

2) Propósito de Edificação:

Aponta aos crentes e seu fim é conseguir seu crescimento ou edificação nas diversas áreas de sua vida. Seu conteúdo principal é o kerigma de edificação e a didaké. Seu fim global é conseguir nos crentes a qualidade da vida de Cristo, tanto no caráter, como na conduta e serviço; e promover a unidade de todos os filhos de Deus aqui na terra para que o mundo creia.
Seu estilo principal deve ser a proclamação da verdade, o ensino, a instrução com os mandamentos, o alento, a exortação, e quando for necessário alguma pequena dose de admoestação e repreensão.
Sua ênfases principal pode variar. Ás vezes kerigmático, ás vezes didático, outras vezes inspiracional ou devocional, ou de consagração, ou de renovação, ou de correção ou mi­nistração as necessidades específicas, ou ministério de restauração, ou profético, ou pastoral (conselhos sobre situações contemporâneas não tratadas diretamente pela Bíblia) etc. .

C) QUALIDADES DE UM BOM PROPÓSITO ESPECÍFICO:

1) Deve surgir da carga espiritual ou da inspiração que Deus tenha dado ao pregador.
Se tem uma carga ou uma inspiração e não se tem ainda claro o propósito específico, tem que seguir orando e me­ditando. "Senhor qual é o propósito específico desta carga ou inspiração? O que queres concretamente conseguir?" Devemos seguir nesta atitude até que o tenhamos bem claro .
2) Geralmente o sermão deve ter um só propósito para que seja eficaz.
3) Deve ser o suficientemente conciso para ser recordado.
4) Deve ser muito claro e preciso.
5) Deve ser formulado por escrito. Deve ser o suficientemente claro para que seja escrito.
6) Deve ser o suficientemente prático para que seja alcançado.

Exemplos de propósitos específicos:
a) Que cada irmão tenha o hábito de orar diariamente a sós.
b) Que perdoemos aos que tem nos ofendido.
c) Que paguemos com fé e alegria os dízimos ao Senhor


HOMILÉTICA TEMA 4

OS ELEMENTOS QUE COMPÕEM O SERMÃO

A) O TEXTO BÍBLICO:

O texto bíblico é aquela passagem das Escrituras, seja breve ou extenso, do qual o pregador extrai o tema de seu sermão.
Se o pregador não encontra um texto bíblico apropriado, para o que quer dizer, ou não conhece bem a Bíblia ou o que vai dizer, não tem apoio bíblico.

As vantagens de um texto bíblico: como base do sermão.

- Dá certa autoridade desde o princípio do sermão, demanda atenção, respeito e obediência.
- Realça o feito que estamos pregando a Palavra de Deus.
- Nos ajuda a nos enquadrarmos no tema e não divagar.
- Nos leva a que o desenvolvimento do tema consista principalmente na explicação, exposição, ilustração e aplicação do texto bíblico que por si só é inspirado por Deus.
- Ajuda aos ouvintes a recordar a trama da mensagem.
- Promove o conhecimento da Bíblia.
- É um caminho sempre mais seguro.

Considerações na escolha do texto bíblico.

- Que seja o mais apropriado de acordo o propósito definido.
- Deve ser o mais claro para desenvolver o tema na ênfase que queremos dar.
- Se deve evitar basear-se em passagens obscuras, ou em palavras ditas por seres não inspirados: Exemplo: Satanás, incrédulos, etc.
- Se deve evitar tirar o texto de seu contexto.
- Se deve evitar passagens que não nos resultem muito claro a nós mesmos .

B) INTERPRETAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO:

Uma vez definido o texto bíblico a tarefa do pregador é fazer uma reta interpretação do texto. Interpretar e explicar fielmente a passagem bíblica é um dos mais sagrados deveres do pregador.

Principais causas de erro na interpretação de uma passagem:

- Desconhecer o correto significado das palavras.
- Desconhecer o significado teológico das palavras.
- Não compreender a construção gramatical do parágrafo ou frase.
- Por fazer literal o que é figurado ou alegórico.
- Por espiritualizar o que é literal.
- Por não comparar com outras passagens bíblicas paralelas.
- Por estender a alegoria ou metáfora alem da intenção do texto.

Breve regras para a correta interpretação

1) Interprete gramaticalmente. Utilize dicionário da língua portuguesa, dicionário bíblico, verifique em outras versões da Bíblia.
2) Interprete de acordo com o seu sentido lógico. Ás vezes a mesma palavra pode ter diferentes significados. EX: carne, mundo.
3) Interprete histórica e contextualmente. Estude o restante da passagem bíblica, nas circunstancias histó­ricas, geográficas, culturais.
4) Interprete de acordo com o restante da Bíblia. Utilize a Concordância Bíblica.
5) Interprete de acordo com o estilo literário devido: se é me­táfora, alegoria, parábola, literal, simbólico, etc. (Veremos mais a frente)

DIFERENTES MODOS OU MÉTODOS DE EXPLICAÇÃO OU EXPOSIÇÃO:

1) Narração:
É o método mais antigo de exposição, é interessante, e compreensível para todos; requer:
- Precisão de datas.
- Ordem nas seqüências.
- Boa imaginação (controlada) .
- Progressão de suspense até o clímax.
- Certa dramatização

2) Descrição:
Geralmente vai junto com a narração. Explica o cenário onde as coisas aconteceram, as circunstâncias, os personagens, os objetos, os lugares, os ambientes, a situação, etc.
É "ver" e reproduzir a cena para que os ouvintes também “ vejam ”.

3) Esclarecer termos e conceitos
Explicando seu significado gramatical, seu significado teológico-bíblico, seu significado prático. Emprego de paráfrases, amplia­ção. Emprego de sinônimos, antônimos, etc.

4) Análises: (gr. Analyo = desatar)
Descomposição de um todo para conhecer e estudar suas partes ou elementos constitutivos.
- Se pode submeter o tema a as 7 perguntas clássicas:
quem? o quê? quando? onde? Por quê? para quê? como?
- Se pode estudar as diversas partes explícitas ou implí­citas no texto.
- Nas analises de uma passagem bíblica como base do sermão:
a) Descobrir os aspectos principais do texto.
b) Dividir a passagem em parágrafos e extrair a idéia central de cada parágrafo.
c) Observar a reação das idéias entre si e seu ordenamento .
d) Descobrir as idéias secundarias que desenvolvem a idéia principal .

5) Sínteses:
Composição de um todo para a reunião de suas partes. É fundamental no desenvolvimento do sermão, em suas diversas partes e em sua totalidade. Para que os ouvintes não se percam em meio a muitas palavras, idéias e exemplos é necessário depois ou antes de explanarmos sinteti­zar, resumir para manter clara a idéia ou o ponto parcial ou total que se está expondo.

6) Linguagem figurada:
Tanto na pregação bíblica como na retórica se manejam muitos conceitos em linguagem figurada. Os principais são:

- Similar: comparação formal entre dois objetos, buscando im­pressionar com algo parecido. EX.: Isaias 55:10-11, Salmo 102:6
- Metáfora: comparação implícita. Forma de expressão mais breve e contundente que não tem um significado literal. EX: "Eu sou a porta" - "Jeová é o meu castelo" - "Sois o sal da terra" .
- Parábola: significa "colocar ao lado de", com o objetivo de comparar. A parábola está reduzida a coisas reais da vida humana e é mais desenvolvido que a similar. Tem um propósito de ocultar ou de revelar. Se devem usar na mesma intenção e propósito em que foram dados, sem querer comparar todos os aspectos da parábola.
- Alegoria: é uma metáfora estendida. Ex.: João 15 - Cristo a videira, o Pai é o agricultor, nós os ramos. Ef. 4 - Cristo a cabeça do Corpo, nós os mem­bros, unidos por conjunturas.
- Tipos: Quando existe algum ponto notável de semelhança ou de analogia entre dois personagens ou ações : Adão, Melquisedeque, Isaac, tipos de Cristo em distintos aspec­tos analógicos.
A saída de Egito como nossa redenção.
- Símbolos ou figuras: representam algum aspecto da realidade espiritual. Por ex.: o tabernáculo, o sangue dos sacrifícios, etc.

7) Ilustrações
Exemplificação e comparação.

D) ILUSTRAÇÕES:

Ilustrar segundo sua origem é clarear um assunto. A ilustração serve para explicar e fazer entender um tema ou uma idéia; serve para provar, para criar interesse, e para gravar as idéias.

Vantagens no uso das ilustrações:

1) A ilustração explica, deixa claro o assunto. Todos entendem com uma boa ilustração. É como mostrar praticamente o que estamos dizendo.
2) A ilustração aumenta o interesse dos ouvintes, (os que estavam dormindo se despertam com uma boa ilustração) e ajuda poderosamente a conservar a atenção.
3) A ilustração fortalece o argumento e ajuda a convencer.
4) A ilustração comove os sentimentos e coopera na persuasão.
5) A ilustração ajuda a memorizar, como nenhuma outra coisa. Muitos depois de vários dias somente se recordam dos exemplos ou ilustrações do sermão.
6) A ilustração deixa mais amena, e ágil a mensagem pa­ra os ouvintes.
7) A ilustração possibilita uma repetição efetiva de verdades importantes. Recordemos que a repetição é uma das leis fundamentais do ensino.

Qualidade de uma boa ilustração:

1) Deve ser compreensível para o auditório. Para isso é necessário que seja tomado dos elementos conhecidos dos ouvintes.

2) Deve ser pertinente ou apropriada. Tem que ter tudo a haver. Um exemplo ou ilustração que somente entretêm por mais interessante que seja somente vai distrair.

3) Deve ser gráfica. Deve apelar a imaginação. Visualizar o quadro e comunica-lo de tal modo que os ouvintes também cheguem a visualiza-lo.

4) Deve ser breve. Não deve estender-se alem do necessário.
Deve eliminar os detalhes que não vêm ao caso. Se é uma analogia será mais breve. Se é um relato poderá ocupar mais tempo, porém não mais do que o necessário.

5) Deve ser veraz. Deve-se eliminar os exageros e mentiras em relatos e testemunhos. Não se pode apresentar algum exemplo hipotético como se fosse real. Podemos trazer casos supostos ou hipotéticos mostrando que não são reais. O que dizemos deve ser digna de crédito.

6) Deve ser prudente. Não se deve nomear a terceiros e revelar suas confidencias pessoais, sobretudo quando sabemos que isto ofen­deria ou molestaria aos envolvidos.

7) Deve ser elegante e de bom gosto.

8) Deve glorificar a Cristo e não a nós. É legitimo trazer ilustrações de nossas experiências pessoais, mas devemos tomar cuidado de não nos apresentarmos como heróis em nossos relatos.

09) Geralmente deve ser escolhida e pensada previamente. As ilustrações improvisadas acabam não sendo muito apropriadas.

Diversas fontes de ilustrações:

- A natureza: a formiga, o sol, a videira, o rio, o corpo, etc.
- As Sagradas Escrituras: suas historias, relatos, metáforas, alegorias, exemplos, personagens, biografias, etc.
- As visões dadas por Deus.
- A historia da Igreja e das nações.
- As biografias.
- As experiências pessoais e de outros.
- Os acontecimentos contemporâneos: mundiais, nacionais. A nível político, social, econômico, policial, etc. (Jornais, TV, radio, etc.)
- O conhecimento das necessidade e dos problemas humanos.

Considerações gerais sobre as ilustrações:

a) As ilustrações podem ser usadas em qualquer parte do sermão segundo a necessidade.
b) As ilustrações tomadas da natureza, ou de objetos feitos pelo homem, ou da linguagem figurada da Bíblia, geralmente são mais apropriadas na explicação do texto bíblico , pois se utilizam mais como analogias (comparações) .
c) As ilustrações tomadas de biografias, experiências pessoais ou testemunhos são mais apropriadas na APLICAÇÃO DO TEXTO bíblico aos ouvinte.

E) APLICAÇÃO:

Considerações gerais:

1) Havendo explicado e desenvolvido a exposição do texto bíblico, o pregador deve mostrar aos ouvintes de que modo as verdades que se tem exposto são aplicáveis a suas vidas.
2) A ênfase principal da aplicação surgirá ou se determinará pela inspiração ou a carga profética.
3) A aplicação não é um apêndice do sermão senão a sua parte princi­pal; não necessariamente na extensão senão na intenção.
Spurgeon disse: "Onde começa a aplicação começa a mensagem".
4) Na exposição ou explicação falamos da passagem bíblica; mas na aplicação damos a mensagem aos ouvintes, nos dirigimos a eles, a sua situação, a sua necessidade; falamos de suas vidas, de sua conduta, de sua salvação ou crescimento. É por isso que a aplicação deve ser prática.
5) É preferível ir fazendo a aplicação prática em cada divi­são do sermão e não deixar tudo para o final.

Erros comuns na aplicação:
1) Ser vaga, abstrata ou impraticável.
2) Ser contraditória.
3) Ser negativa.

Requisitos para uma boa aplicação:

1) Deve ser clara, especifica, concreta, prática.
2) Deve ser positiva e não condenatória, deve enfocar não mera­mente o problema senão a solução.

3) Deve ser pertinente aos ouvintes, de acordo com a suas necessidades e nível espiritual .
4) Deve ser contextual de acordo as circunstâncias e cultura dos ouvintes
5) Deve alentar, animar, inspirar fé, mostrar que é possível median­te o poder de Cristo em nós.
6) Deve ser persuasiva. Deve persuadir, exortar, (Rom. 12:1 ; 2 Cor. 5:20)
7) Deve-se ir progredindo até o clímax. O clímax é o ponto cul­minante quando o ouvinte convencido, comovido e motivado pela Palavra de Deus rende sua vontade e sua vida ao Senhor.

RESUMO DO MATERIAL PARA UM SERMÃO.

Primeiro: A inspiração ou recepção da mensagem de Deus, ou carga espiritual .

Segundo: Determinação do propósito definido.

Terceiro: O resumo do material

Já assinalamos que os elementos ou materiais que compõem um sermão são:
A) O TEXTO BÍBLICO
B) A INTERPRETAÇÃO
C) A EXPLICAÇÃO OU EXPOSIÇÃO
D) AS ILUSTRAÇÕES
E) A APLICAÇÃO

Uma vez determinado o propósito do sermão, o passo seguinte é fazer é ajuntar o material sobre o tema que se vai a desenvolver.
Nesta etapa o importante é ANOTAR tudo o que venha sobre o tema: idéias, textos bíblicos, exemplos, comparação, pensamentos, aplicações, revelações, experiências Nestas etapas não interessa a ordem, pois estamos ajuntando tudo. Agora tem que reunir material dos cinco pontos assinalados:
A)B) C) D) E) .

Não é conveniente fazer isto em um só dia. É necessário preparar-se com mais tempo. Para estudar, meditar, orar, receber inspiração, encontrar exemplos e ilustrações. Reitero que nesta etapa o importante é ANOTAR. Estudar o texto e anotar. Buscar na concordância e anotar os textos mais adequados. Orar . Se nos ocorre algum exemplo ou ilustração, anotar. Se nos vêm idéias e pensamentos, ANOTAR. Deste modo iremos recopiando os materiais que logo ordenaremos para a preparação do sermão.

HOMILÉTICA TEMA 5

A ORDEM DO SERMÃO

Esta nova etapa na preparação de um sermão consiste em: elaborar um plano para o desenvolvimento do sermão, ou seja, organizar e ordenar o material, fazer as divisões principais, inter-relacionar as distintas partes, selecionar o material reunido, dar-lhe uma pro­gressão lógica e adequada, preparar uma introdução e uma conclusão; e escrever o esboço que servirá como guia para a pregação.

A) A IMPORTÂNCIA DA ORDEM

1) Desenvolver uma mensagem de um modo ordenado deixa mais compreensível a mensagem.
2) A boa ordem deixa a mensagem mais atrativa.
3) A boa ordem manterá a atenção dos ouvintes com mais facilidade.
4) A boa ordem permite recordar a mensagem com mais facilidade.
5) A boa ordem dá mais força a mensagem.
6) A boa ordem é também de grande importância para o pregador; e ajuda a evitar: omissões, repetições desnecessárias, “viajar” etc. Dá ao pregador uma idéia cabal do que quer dizer e o inspira e o estimula.

Convém aqui esclarecer que o mais importante de um sermão não é sua forma ou ordem senão seu conteúdo. Mas também é justo assinalar que um sermão com um bom conteúdo e uma boa ordem dará um im­pacto muito mais poderoso e duradouro na maioria. Por outro lado um sermão com uma ótima ordem e sem um bom conteúdo será ineficaz.

B) ASPECTOS QUE SE DEVEM OBSERVAR PARA CONSEGUIR UMA BOA ORDEM

1) A unidade do sermão: Ao ter o sermão um só objetivo es­pecífico, tudo o que se inclui nele deve servir de algum mo­do a alcançar o seu objetivo; e se deve excluir tudo o que não venha ao caso ou não contribua a alcançar o objetivo propos­to. Respeitar este princípio é fundamental para alcançar a uni­dade do sermão.
O pregador, igual a um arquiteto, havendo separado os materiais, deve construir uma estrutura de sustentação que da­rá unidade a seu sermão, na qual integrará todas as partes de sua pregação em um conjunto harmônico e coerente.

2) Organização do sermão: Ao ordenar os materiais separados e estruturar as distintas partes do sermão, não é suficiente coloca-los meramente numa ordem, senão dar-lhes a melhor ordem que possamos, de tal maneira que cada parte fique colocada no lugar onde possa ajudar melhor ao tema em seu conjunto. Para ele é necessário um plano geral para a organização de sermões e um bom critério para saber como faze-lo em cada caso particular.

As partes que compõem explicitamente o sermão são:
1) O texto bíblico.
2) O título ou tema.
3) A introdução.
4) O desenvolvimento do tema com suas divisões principais e subdivisões .
5) A conclusão.

Os dois elementos que determinam como organizar um sermão são:

1) O propósito definido.
2) A proposição.

3) Movimento progressivo do sermão: Este é o terceiro aspecto que se deve observar para conseguir uma boa ordem em um sermão. Isto significa que deve haver uma adequada progressão no pensamento do sermão desde o princípio até o fim, a qual será mais fácil levar aos ouvintes consigo a cada passo do ca­minho .
A ordem das divisões deve respeitar o movimento progressi­vo . Consideremos alguns princípios:
- Ir do conhecido ao desconhecido.
- Ir do simples ao complexo.
- Ir dos argumentos mais débeis aos mais fortes.
- As considerações negativas devem preceder as positivas.
- O abstrato deve preceder ao concreto.
- Primeiro o kerigma depois o didakê.
- Primeiro a explicação depois a aplicação.
- Ir do geral ao particular.
- Respeitar a ordem cronológica possível.
- Primeiro dirigir-se a mente mediante a instrução e a explicação, depois motivar os sentimentos e em terceiro lugar apelar a vontade.
- Primeiro despertar o interesse mediante perguntas, colocações conflituosas, manter certo suspense e logo dar as res­postas .

Estas não são regras fixas senão princípios, será bom respeita-los, mas não é necessário atar-se a eles. Estes princípios são aplicáveis a cada uma das partes como o sermão em seu con­junto para progredir até seu clímax.

C) O DESENVOLVIMENTO DO TEMA E SUAS DIVISÕES

Para conseguir um bom desenvolvimento do tema é muito útil e proveitoso dividir o sermão em várias partes principais e logo subdividir cada parte em vários sub-pontos. O rascunho feito com a variedade de elementos que compõem um sermão devem agora ser selecionados, agrupados e inter-relacionados em torno a vários pontos ou substitui-los os quais constituirão as divisões principais do sermão

Considerações sobre as divisões principais de um sermão:

1) As divisões principais devem manter entre si coordenação, harmonia, coerência e fluência para formar assim uma unidade lógica. Para isto devem ser formuladas de um modo semelhante, como ser:

Formulações interrogativas:
Exemplo:
TEMA: O PERDOAR
1) O QUE É PERDOAR?
2) POR QUE DEVEMOS PERDOAR?
3) COMO DEVEMOS PERDOAR?
4) QUANDO DEVEMOS PERDOAR?

Pelo uso de uma "palavra chave"; como ser: causas, requisitos, razões, efeitos, atitudes, motivos, níveis, debilidades, evidencias, condições, provas, etc.

Exemplo: TEMA: OS REQUISITOS para CRESCER

1) O 1º requisito é . . . .
2) O 2º requisito é . . . .



Pelo uso de uma "frase chave"

Exemplo: TEMA: "O temor de Deus"

1) O homem que teme a Deus se torna sábio.
2) O homem que teme a Deus vive em santidade.
3) O homem que teme a Deus vive seguro.

Pelas divisões naturais do tema.

Pelas divisões naturais do texto bíblico.

Pelos pontos sobressalentes do relato.

2) O número das divisões principais convém que sejam entre dois e cinco, ainda que excepcionalmente possam ser mais. O mais freqüente é que sejam três o quatro.

3) Surge a pergunta se é conveniente que o pregador anuncie as divisões de seu sermão. Não é indispensável, depende do tema e do modo que foi preparado e do estilo do orador. Em términos gerais diremos que sim se o anuncio explícito das divisões principais ajudar aos ouvintes a seguir com mais facilidade o desenvolvimento do sermão. Não é conveniente em geral fazer o anuncio das subdivisões ou dos sub-pontos.

4) As divisões devem se suceder de um modo natural e cobrir entre todo o terreno da proposição.


Esquema de Organização de um Sermão

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